Canabinóides em psiquiatria: o que você precisa saber

Embora seu uso e indicação seja um tanto controverso, os canabinóides têm uma ampla variedade de efeitos farmacológicos que podem ter muitos usos clínicos.

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Postado em 15/07/2024

Até o momento, sua efetividade foi provada em poucas situações clínicas, como epilepsia, espasticidade na esclerose múltipla, dor crônica, náuseas e vômitos intratáveis induzidos por quimioterapia. Na psiquiatria, acredita-se que o CBD, ou Canabidiol, também tenha efeitos benéficos.

A seguir, vamos discutir os possíveis usos do canabidiol na psiquiatria e suas possíveis implicações.

Canabinóide, Canabidiol, CBD e THC

De forma mais simplificada, podemos dizer que o termo canabinoide se refere genericamente a uma das substâncias encontradas ou extraídas da planta Cannabis Sativa.

Entre cerca de quinhentos compostos clínicos, existem duas substâncias que são mais seriamente estudadas pela ciência: o Canabidiol, ou CBD, e o tetrahidrocanabinol, ou THC. Ambas possuem a mesma estrutura molecular, mas têm propriedades sensivelmente diferentes e, quando combinadas, estas substâncias promovem melhores resultados.

CBD – não tem ação intoxicante, e por isso não provoca nenhuma alteração da percepção da realidade. Possui propriedades analgésicas, anti-inflamatórias, antioxidantes, ansiolíticas, antidepressivas, neuroprotetoras, anticonvulsivas e anti náuseas.

THC – possui uma atuação psicoativa caracterizada pela sensação de euforia, possui propriedades medicinais muito importantes, sendo um potente estimulante do apetite, relaxante muscular, sedativo, analgésico e anti-inflamatório. Atua também sobre náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia, além de ter um efeito positivo no humor.

O THC possui alguns efeitos colaterais como ansiedade, depressão, aumento momentâneo da frequência cardíaca e perda da memória recente, porém, quando utilizamos composições ricas em CBD, diminui-se consideravelmente os sintomas indesejáveis.

Atuação dos canabinóides na psiquiatria

Quando falamos especificamente da aplicação dos canabinóides na psiquiatria, existem relatos de melhora de diversos transtornos mentais, como em quadros de ansiedade, insônia e transtorno de estresse pós-traumático.

É importante ressaltar que, na psiquiatria, existe a preferência pelo uso do Canabidiol (CBD) isolado, uma vez que o consumo de THC está relacionado com uma grande variedade de sintomas psiquiátricos, como aumento no risco de psicose, esquizofrenia, piora de sintomas de humor em pacientes bipolares e agravamento de sintomas de ansiedade social, além de piorar o desempenho em tarefas de aprendizagem e memória.

Apesar de não ser considerado um tratamento de primeira linha para os transtornos psiquiátricos, o CDB é visto como um medicamento capaz de servir como potencializador do tratamento tradicional.

Portanto, antes de decidir iniciar um tratamento que inclua o uso de um canabinóide, esses dados precisam ser informados ao paciente e ele deve estar ciente das limitações envolvidas.

É importante averiguar outras possíveis terapêuticas disponíveis e seus efeitos colaterais. Sendo importante também manter a comunicação com o médico durante o tratamento, para sanar dúvidas e evitar os ajustes de dose por conta própria.

Apesar de complexo, o tratamento com canabinóides pode sim trazer conforto e qualidade de vida. E apenas um especialista devidamente habilitado pode diagnosticar a doença e o devido tratamento. Agende a sua consulta!

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