Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG): conheça os tratamentos farmacológicos tradicionais e as novas abordagens

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O que é o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)

O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) é caracterizado por preocupação excessiva e persistente, de difícil controle, envolvendo diferentes aspectos da vida cotidiana. Essas preocupações vêm acompanhadas de sintomas como inquietação, tensão muscular, dificuldade de concentração, irritabilidade e alterações do sono, presentes na maioria dos dias por pelo menos seis meses, com prejuízo funcional significativo.

A prevalência mundial do TAG é de aproximadamente 1,8% em 12 meses e 3,7% ao longo da vida, sendo mais frequente em países de alta renda. O diagnóstico costuma ser tardio, ocorrendo em média aos 32 anos.

Os tratamentos disponíveis — farmacológicos e psicoterápicos — são eficazes em 60–85% dos casos, com taxas de remissão em torno de 50%. As medicações costumam agir mais rapidamente, enquanto a psicoterapia tende a produzir benefícios mais duradouros.

 

Tratamento Farmacológico do TAG

Antidepressivos

Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) e os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (ISRN) são o tratamento de primeira linha. Evidências apontam maior eficácia para escitalopram, venlafaxina, duloxetina e sertralina. A sertralina se destaca pelo bom custo-benefício.

O início de ação ocorre geralmente entre 2 e 8 semanas, com resposta plena em cerca de 12 semanas. Os efeitos colaterais mais comuns incluem náusea, cefaleia, alterações do sono e disfunção sexual. Alguns antidepressivos podem produzir alterações no eletrocardiograma, especialmente o citalopram.

A mirtazapina demonstrou eficácia e boa tolerabilidade no TAG, embora com número ainda limitado de estudos. Os efeitos colaterais mais frequentes são sedação, aumento do apetite e ganho de peso.

A bupropiona pode exacerbar a ansiedade em alguns pacientes, mas há evidências de eficácia comparável aos ISRS em casos de TAG leve com comorbidade depressiva. Dado seu perfil favorável em relação à disfunção sexual, ganho de peso e sedação, pode ser considerada em situações selecionadas.

A vortioxetina apresentou resultados inconsistentes: uma meta-análise mostrou benefício, enquanto outras não evidenciaram superioridade em relação ao placebo. Suas principais vantagens incluem menor risco de disfunção sexual, e a principal desvantagem é a alta incidência de náusea.

A vilazodona mostrou possível eficácia em uma meta-análise, porém com pequeno tamanho de efeito e elevada taxa de efeitos adversos; outras duas meta-análises não confirmaram benefício significativo, apesar do baixo impacto sobre a função sexual.

A agomelatina demonstrou eficácia na redução dos sintomas ansiosos e na melhora do funcionamento global em pacientes com TAG, inclusive em quadros mais graves.

 

Buspirona

A buspirona é um agonista parcial do receptor 5-HT1A, eficaz e bem tolerada no TAG. O início de ação é relativamente rápido (1–2 semanas) e ela é frequentemente usada como adjuvante, podendo inclusive reduzir a disfunção sexual associada aos ISRS.

 

Benzodiazepínicos

São eficazes e de ação imediata, mas associados a riscos importantes, como dependência, síndrome de retirada e prejuízo cognitivo. Seu uso deve ser restrito e, quando indicado, limitado ao início do tratamento com antidepressivos, por curto período.

 

Anticonvulsivantes

A pregabalina mostrou eficácia superior ao placebo e comparável à dos benzodiazepínicos, com boa aceitabilidade. Os principais efeitos colaterais incluem tontura, incoordenação e edema. A evidência para gabapentina é limitada.

 

Antipsicóticos Atípicos

A quetiapina pode reduzir sintomas de ansiedade, mas apresenta baixa tolerabilidade. De modo geral, o uso de antipsicóticos no TAG é evitado devido ao perfil de efeitos colaterais.

 

Anti-histamínicos

A hidroxizina possui efeito ansiolítico, com início de ação rápido e boa aceitabilidade. Pode ser utilizada como alternativa ou adjuvante no início do tratamento.

 

Novas Abordagens

  • Canabidiol (CBD): revisões recentes indicam efeitos positivos em grande parte dos estudos, com melhor resposta em uso contínuo e dose em torno de 300 mg/dia, além de perfil de segurança favorável.
  • Cetamina: estudos abertos sugerem efeito ansiolítico sustentado em TAG refratário, mas são necessários ensaios clínicos controlados.
  • Psicodélicos: pequenos estudos com psilocibina e LSD mostraram melhora da ansiedade, sobretudo em pacientes com doenças graves.
  • Oxitocina: dados preliminares sugerem redução da ansiedade, especialmente em homens.
  • Sistema da orexina: antagonistas do receptor de orexina apresentaram efeitos ansiolíticos em estudos experimentais.

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